terça-feira, 11 de novembro de 2014

Margarida

Verde é minha caneca preferida
café preto com desenho de margarida
empregada doméstica, na infância esquecida
aquilo sim é que era mulher?
Preta sisuda,
hoje usaria o SISU.
não era rosa morena
era margarida negra, sertaneja
era colo e mãe solteira
menino que dei mamadeira
que nega querida era margarida
que não negava atenção
persona non morena, dura, amiga
cabulei debaixo da cama
no mandato de margarida
biscoito mofado no parapeito
ciência de mentirinha
no reinado de margarida
segredos descobertos a um infaticida
A Cida também foi tida,
magra, esperta, pimenta ardida,
como ardilosa? mamãe dizia... nega-cida
As negras como minha avó amiga
foram todas despedidas
hoje não te merecia
colo de margaridas
na escuridão do quarto
invisíveis negras esquecidas
desconstruídas como poesia mal escrita
enchimentos do tédio da vida
é que não se fazem mais margaridas como antigamente...
ainda bem
Onde andará a desapare-cida?
pedaço da minha sina,
acenava, fina, fiel, canina
sorriso branco
poucos dentes
nenhum pranto
pano de prato em riste
hoje me deixa triste
a caneca preferida
verde, preta, margarida

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