sexta-feira, 15 de maio de 2015

Poema bipolar

o sonho de um sol
é o sonho de um só
é sonho insondado
mulato calado
besouro zangado
zangão abismado
o que aconteceu?
a cega raposa
arguia sem lousa
quanto tu já deu?

o espírito empirico prevaleceu

a nota foi feita
o resto se azeita, ou
nem se ajeita mais
a fera ferida
a magoa contida
será barrabás?
será esquecida?
será suprimida?
será transcendida?
transincendiada
transversalizada
transada demais
meio envelhecida
meio suicida
meio fratricida
os meus genitais
um meu genocida
um meu regicida
(não, repetitivo demais)

quem predomina não domina
tem a ilusão de dominar
quem denomina o que predomina
é que domina e domina

viver é um jogo de denominar

viver é jogar?

não quero lembrar que eu minto também

domingo, 3 de maio de 2015

Global trends e a tragédia como farsa

tá ficando kafkiano:
traficando cafas
cafofando Áfricas
afrontando profs
aprontando trotes
desfalcando fatos
afiando motes
desfiando nots
retratando Trotski
embrutecendo pobres
produzindo esnobes
gerundiando paródias
e três tigres tigrados
agradando os 'nobres'
aumentando cofres.
lúgubres tempos
lúgubres templos
lúgubres intentos
trabalhadores ludibriados
descaminhos contados
contos desencaminhados.
aliterações pungentes:
cinzas cadentes
e fiascos condescendentes
e você
e tudo a haver