quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

É vista quando há vento e grande vaga
Ela faz o ninho no rolar da fúria
E voa firme e certa como bala.

As suas asas empresta
à tempestade
Quando os leões do mar rugem nas grutas
Sobre os abismos passa e vai em frente

Ela não busca a rocha o cabo o cais
Mas faz da insegurança a sua força
E do risco de morrer seu alimento

Por isso me parece imagem justa
Para quem VIVE e CANTA no mau tempo.


(Procelária - Sophia de Mello Breyner Andresen)
ANTIECLESIÁSTE

Chuva nas nuvens,
flores nas arvores,
lágrimas em nós.

Estação de chuva,
estação de flores.
O tempo inteiro para as lágrimas

Por isso estamos tão extenuados:
todos os tempos foram de chorar.

- Cecília Meireles

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014



É preciso morrer, todos os dias, um tantinho
Qual barco a navegar, ajustando direções
A fingir completamente não buscar nenhum sentido
Mas colhendo, em segredo, a obviedade das canções

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Punhetinha safada

Santos se sentem sentidos.
Sempre assuntando, pois sem
assento acentuam sentidos.
Assados assíduos hão sidos
saudados. Saudades, cidade!
Assistam sentados, soldados
sarados assando aos sábados.
Safados, safaram-se ao sol, 
Sassaricaram, sambaram.
Suaram sabores salgados
                          Enquanto
O poeta punheta poemas.