Derrama teu lago em mim,
Meu vaso ruim
Transborda teu infinito poço
Ceifa o que eu tenho de moço
Canta outra vez pra mim,
Meu vaso ruim?
Me mostre tudo de novo
Me mostre todo de novo
Eu quero sim
Meus líquidos nesse vaso ruim
Minha febre, dureza, agonia, alegria
Tudo lateja dentro e ao redor de mim
Teu mijo, teu riso, teu desprezo, teus quadros xilografados na minha cabeça
Teu corpo nu na janela que eu decorei sem tocar
Teu toque que meu corpo me devolve em grossas gotas
Tua voz que me deixa as orelhas roxas
Eu vejo de dentro você, vaso
Eu racho e também não quebro
Eu me alivio sem me rebolar
E me desespero de novo sorrindo
Como é bom pra mim esse vaso ruim.
