Derrama teu lago em mim,
Meu vaso ruim
Transborda teu infinito poço
Ceifa o que eu tenho de moço
Canta outra vez pra mim,
Meu vaso ruim?
Me mostre tudo de novo
Me mostre todo de novo
Eu quero sim
Meus líquidos nesse vaso ruim
Minha febre, dureza, agonia, alegria
Tudo lateja dentro e ao redor de mim
Teu mijo, teu riso, teu desprezo, teus quadros xilografados na minha cabeça
Teu corpo nu na janela que eu decorei sem tocar
Teu toque que meu corpo me devolve em grossas gotas
Tua voz que me deixa as orelhas roxas
Eu vejo de dentro você, vaso
Eu racho e também não quebro
Eu me alivio sem me rebolar
E me desespero de novo sorrindo
Como é bom pra mim esse vaso ruim.

além de evocar uma miríade de imagens genuinamente fortes, manteve toda uma unidade e coerência, o que só tornou aquelas imagens ainda mais fortes e significativas. foi-se acumulando o efeito, que culminou numa experiência única e imersiva. deu pra sentir a sinceridade do seu sentimento, que só não chamo de amor porque absolutamente todos dizem amar, e pouquíssimos são capazes de sentir uma gradação como essa que você fez, ao elencar traços tão peculiares que demonstram com primor como você conhece (biblicamente) o narratário do poema. os jogos de palavras e a verdadeira inexistência de pés quebrados só fizeram recrudescer aquele efeito que eu citei. cê tá mais do que pronto, meu rei. continue me brindando com tanta sinceridade.
ResponderExcluirAssim eu coro.hfahahahaha
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